Acadêmicos

OSWALDO RUSSOMANO

Por Wadad Naief Kattar

Cidadão prestante- político sensato- servidor público honesto

Pesquisando a vida familiar, social e profissional desse ilustre cidadão bragantino, pude entender porque era benquisto, amado e homenageado, como só acontece a quem se dedica a seguir um caminho voltado a servir sua gente com serenidade, humildade, ponderação e honradez.

Filho de Josué Russomano e de D. Rosa Thomazini, veio ao mundo às quatro horas do dia nove de setembro de 1900, no lar da rua Lavapés n. 5, nesta cidade de Bragança Paulista.

Em idade escolar frequentou o Grupo Escolar Dr. Jorge Tibiriçá, onde já demonstrava interesse pela leitura. 

Autodidata, desde cedo se interessou pelo jornalismo e 20 anos após o nascimento, em 1920, já escrevia nos jornais da cidade. Colaborou nos jornais O Jeca e O Lyrio,

Seu primeiro trabalho foi numa relojoaria onde permaneceu até 1924, quando foi convidado a exercer o cargo de Escrivão de Polícia, o que fez por oito anos. Nessa época foi redator da revista Semanário Athenéia.

Foi agente-correspondente de vários jornais do Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, Correio da Manhã e A noite. Em São Paulo, do Jornal do Comércio e Correio Paulistano. Em Bragança Paulista foi diretor do jornal Cidade de Bragança e diretor da sucursal das Folhas.

O ano de 1927 trouxe alegrias para Oswaldo Russomano: no dia seis de março contraiu núpcias com Clarina Bertolotti e em dezoito de junho desse mesmo ano, fundou juntamente com José Thomazini e José de Oliveira, o Bragança-Jornal, que depois passou a circular como Bragança-Jornal Diário.

Seu casamento foi abençoado com o nascimento de dois filhos: Oswaldo José Russomano em sete de junho de 1928 e Carlos Russomano em sete de setembro de 1930.

Na revolução de 1932 trabalhou como correspondente jornalístico.

Após a revolução, Bragança teve como Interventor do município o Capitão José Ramos Nogueira, que designou Oswaldo para o cargo de Secretário da Prefeitura.

Nos anos de 1936 e 1937, lecionou História e Civilização na Escola de Comércio Rio Branco.

Durante os anos de 1938 e 1939 residiu no Rio de Janeiro com o amigo jornalista e escritor bragantino Olympio Guilherme, onde dirigiu o Observador Econômico e Financeiro, sendo também redator do Hollerith Jornal.

Retornando a Bragança Paulista, reassumiu o posto de Secretário da Prefeitura.

Por nove vezes esteve na prefeitura da cidade: como vice-prefeito, prefeito interino ou prefeito substituto. Sempre como depositário da total confiança dos seguidos prefeitos.

Nos anos de 1942/1943, o governo estadual o convocou a reorganizar a Prefeitura de São Vicente, onde veio a ocupar o posto de Prefeito em virtude do afastamento do titular.

Ao findar essa incumbência voltou a ocupar o cargo de Secretário em Bragança, somando 32 anos a serviço da municipalidade. Foi o bragantino que maior número de vezes atuou na prefeitura da cidade.

Pessoa culta, intelectual, fez da imprensa um veículo de crítica construtiva, de orientação, de educação e de campanhas de interesse da população.

Atividades exercidas nos vários setores sociais de Bragança Paulista:

– membro atuante da Comissão de Construção da Nova Catedral;

– um dos fundadores do Centro de Expansão Cultural;

– fundador da Associação Bragantina de imprensa- ABI;

– um dos fundadores e dirigente do Centro Católico;

– teve atuação decisiva para que o primeiro ginásio estadual, hoje EEPSG            Cásper Líbero, pudesse funcionar na cidade, agindo com insistência junto às autoridades de educação no Rio de Janeiro;

– foi secretário do antigo Tiro de Guerra 464;

– gerenciou a Empresa Elétrica Bragantina durante nove anos, de onde se aposentou em 26 de julho de 1967. Nessa ocasião, foi alvo de merecida homenagem por parte de diretores e funcionários, durante um jantar oferecido em agradecimento pelos relevantes serviços prestados.

Em sete de dezembro de 1963, em festividade realizada no Clube Literário e Recreativo de Bragança Paulista, foi agraciado com ”Medalha de Honra ao Mérito” oferecida por parte dos Diários e Emissoras Associados, com a inscrição: “Ao jornalista Oswaldo Russomano, o mais antigo redator- Homenagem de Honra ao Mérito do Diário de São Paulo”

No dia 9 de setembro de 1977, data em que comemorava 77 anos de idade, recebeu a homenagem que muito o sensibilizou: por indicação do vereador Mauro Baúna Del Roio, recebeu o título de “Cidadão Emérito” pelos relevantes serviços prestados à coletividade.

Sua última aparição em público foi na Câmara Municipal para reverenciar um amigo que estava sendo homenageado. Algumas horas depois, no dia 11 de outubro de 1981, aos 81 anos de idade, extinguiu-se sua brilhante luz.

Homenagens póstumas

Por indicação de Mauro Baúna Del Roio, na gestão do prefeito Alberto Diniz, por decreto n. 4.813 de 05 de abril de 1982, o Museu Municipal instalado no prédio de n. 520 da rua Coronel João Leme, em Bragança Paulista, passou a denominar-se Museu Jornalista Oswaldo Russomano.

Na gestão do prefeito José de Lima, por indicação do vereador mauro Baúna Del Roio, no dia 4 de maio de 1984, foi inaugurada a Praça Oswaldo Russomano, situada atrás do velório municipal.

Por indicação do vereador Marcelo Funck Lo Sardo, no dia 4 de maio de 1984, foi erigido e inaugurado juntamente com a Praça Oswaldo Russomano, um busto do homenageado.

Por toda uma vida dedicada a engrandecer sua terra natal que tanto amou, é justo que seja motivo de orgulho de todos os que aqui nasceram, pois Oswaldo Russomano é patrimônio da comunidade bragantina.

Minha Homenagem

Por nascimento,

bragantina não sou, não.

(muito me honraria ser!)

Mas ao biografar o ilustre

cidadão Oswaldo Russomano,

homem por demais humano,

mesmo sem tê-lo conhecido,

embora sem a pretensão

de atingir a perfeição

pela própria limitação,

mas com muita dedicação,

ao término do feito,

tomando conhecimento

da vida do patrono eleito,

o coração pulsa forte no peito

misto de orgulho e emoção:

mesmo não sendo por nascimento,

sou bragantina de coração!

Entre em contato comigo